“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la” (Cecília Meireles).
E chega, sempre, num rompante de Vida e Brilho, após a jornada silenciosa e recolhida do Inverno. Com toda a sua força, a Primavera inicia profusamente um novo ciclo de cores, aromas, sabores, texturas e sons. Lembra-nos da inesgotável sabedoria do tempo que, com sua eternidade, compreendeu que para despertar é preciso antes recolher; para acordar é preciso adormecer; para re-nascer é preciso morrer. Com seus ventos intensos refaz a Vida, reavivando a sua energia vital presente em tudo e em todos – no ar que respiramos, na terra em que pisamos, no alimento que comemos, na água que bebemos, nos seres com quem convivemos.
A Primavera nasce no equinócio em que a Noite e o Dia se igualam, simbolizando o equilíbrio da Terra e do Céu, do Feminino e do Masculino, do Sentir e do Agir, do Amar e ser Amado. Está associada à cor Verde que nos remete a pureza, limpeza e abertura para novas possibilidades e oportunidades; e no Caminho da Iluminação do Leste, onde nasce o Sol, nosso Pai celeste e símbolo da espiritualidade. É no Leste que nos abrimos para a natureza espiritual das coisas e buscamos perceber nosso propósito e, assim, renascemos para a Vida.
Nos fala que é tempo de semear e fertilizar nosso processo de crescimento em sintonia com a energia vital e em mergulho com a Criação, sendo todos um e únicos ao mesmo tempo. É um momento de deixar ir o que nos turva e permitir que nossa Alma brilhe, iluminando nossos caminhos e escolhas. É tempo de perdão e gratidão por tudo que nos é dado e pelas oportunidades que nos são oferecidas, preparando-nos para a colheita e crescimento da Luz do Verão.
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Há quase um ano, essa estação mágica me deu de presente meu gato mais novo, Pomelo, que nasceu na Primavera e em uma primavera (ou buganville) o encontrei. Sempre que o olho, a sua expressão me passa uma intensa e assustada vontade de viver, assim como uma flor que desabrocha sem saber o que a espera, mas sabendo que precisa desabrochar para ser plena em sua existência.
Como ele, ainda carregamos um medo de sermos plenos em nossa existência, de abrirmos mão das falsas seguranças que criamos no cotidiano, de amadurecermos para a Vida. Mas não há volta, esse é o caminho. Somente quando a humanidade desabrochar e se tornar plena é que seremos um Único ser respirando vida nesse planeta.