19 maio 2011

THE COMPLEX RELATIONSHIP BETWEEN CITIES AND NATURE


Human beings in their daily life became more intimate with concrete and asphalt than with earth and trees. Currently, more than 50% of the world population lives in cities and it is estimated that by the year of 2050 this proportion rises to two thirds. An intense process of urbanization that is changing our humanity (we are one species among millions, after all) and our relationship with Earth.

The cities only use 2% of land area on Earth, but it´s enough to consume more than 75% of its natural resources and to produce a similar proportion of waste and emissions, and those numbers do not consider the energy required to food production*.

It’s in cities that we consume almost everything, directly or not. Energy. Water. Air. Large amounts of land to pasture and agriculture. Food. Fuels. Trees and animals for (more) food, wood, paper, and a lot of other stuffs. Everything consumed in a linear metabolism in which the inputs are used and discarded, generating waste of all kind – that is, polluting  our rivers, seas, lakes and groundwater, our soil and air. An environmentally inefficient model which produces an immense pressure on Earth´s carrying capacity, as in what it takes as in what returns.

While we consume resources and energy, we live in a fragmented and isolated urban experience, consisting of thousands of small everyday individual life. We built a dual and separated reality, but paradoxically we are called to think and act collectively and in unity, otherwise our future becomes uncertain.

But how can we transform the experience of a fragmented urban life in a truly integral one, for which the senses of oneness and communion with Life reign? How do we transform our cities into pillars of a culture of sustainability?

The construction of harmonious cities is a choice, it is an ethical attitude. The fear which arises is that, as never before, we are so dependent on individual choices facing the collective well-being.

Agreeing with Girardet, "in the end, only a profound change of attitudes, the ethical and spiritual change, can bring the deeper transformation required"*


(*) Prof. Herbert Girardet, director e cofounder of the World Future Council.
See his book: “Cities, People, Planet. Liveable cities for a sustainable world.” (2004).

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A COMPLEXA RELAÇÃO ENTRE CIDADES E NATUREZA


O ser humano, no seu cotidiano, tornou-se mais íntimo do concreto e do asfalto do que da terra e das árvores. Atualmente, mais de 50% da população do planeta vive em cidades e estima-se que até o ano de 2050 esta proporção passe a ser de dois terços. Um intenso processo de urbanização que vem modificando nossa humanidade (somos uma espécie dentre milhares, afinal) e nossa relação com a Terra.

Apesar das cidades utilizarem apenas 2% da superfície terrestre, isso já é suficiente para que consumam mais de 75% dos recursos naturais e produzam uma proporção similar de resíduos e emissões, e nesse cálculo não está sendo considerada a energia gasta para a produção de alimento*. É nas cidades que consumimos absolutamente tudo, direta ou indiretamente. Energia. Água. Ar. Grandes extensões de terras para pastos e agricultura. Combustíveis. Árvores. Animais. Tudo consumido em um metabolismo linear no qual os fatores/recursos que entram são utilizados e descartados gerando resíduos sólidos, líquidos e gasosos, isto é, poluindo nossos rios, mares, lagos e lençóis freáticos; o solo e o ar. Um modelo ecologicamente ineficiente e que gera imensa pressão na capacidade de suporte da Terra, tanto no que dela retira, como no que a ela devolve.

Ao mesmo tempo em que consumimos recursos e energia, vivemos em uma experiência urbana fragmentada e isolada, composta de milhares de pequenos cotidianos individuais. Construímos uma realidade dual e separada, mas, paradoxalmente, estamos sendo chamados a pensar e agir de forma coletiva e em unicidade, caso contrário, nosso próprio futuro torna-se incerto.

E como transformar a vivência de uma urbanidade fragmentada em uma experiência verdadeiramente Integral, na qual os sentidos de unicidade e comunhão com a Vida imperam? Como transformar nossas cidades em pilares de uma cultura da sustentabilidade?

A construção de cidades harmônicas é uma escolha, é uma postura ética. O medo é que, nunca como antes, dependemos tanto de escolhas individuais voltadas para o coletivo.

Concordando, “in the end, only a profound change of attitudes, a spiritual and ethical change, can bring the deeper transformation required”*.



(*) Prof. Herbert Girardet, diretor e cofundador do World Future Council.

19 setembro 2010

Filhos da Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la” (Cecília Meireles). 

E chega, sempre, num rompante de Vida e Brilho, após a jornada silenciosa e recolhida do Inverno. Com toda a sua força, a Primavera inicia profusamente um novo ciclo de cores, aromas, sabores, texturas e sons. Lembra-nos da inesgotável sabedoria do tempo que, com sua eternidade, compreendeu que para despertar é preciso antes recolher; para acordar é preciso adormecer; para re-nascer é preciso morrer. Com seus ventos intensos refaz a Vida, reavivando a sua energia vital presente em tudo e em todos – no ar que respiramos, na terra em que pisamos, no alimento que comemos, na água que bebemos, nos seres com quem convivemos. 

A Primavera nasce no equinócio em que a Noite e o Dia se igualam, simbolizando o equilíbrio da Terra e do Céu, do Feminino e do Masculino, do Sentir e do Agir, do Amar e ser Amado. Está associada à cor Verde que nos remete a pureza, limpeza e abertura para novas possibilidades e oportunidades; e no Caminho da Iluminação do Leste, onde nasce o Sol, nosso Pai celeste e símbolo da espiritualidade. É no Leste que nos abrimos para a natureza espiritual das coisas e buscamos perceber nosso propósito e, assim, renascemos para a Vida.­ 

Nos fala que é tempo de semear e fertilizar nosso processo de crescimento em sintonia com a energia vital e em mergulho com a Criação, sendo todos um e únicos ao mesmo tempo. É um momento de deixar ir o que nos turva e permitir que nossa Alma brilhe, iluminando nossos caminhos e escolhas. É tempo de perdão e gratidão por tudo que nos é dado e pelas oportunidades que nos são oferecidas, preparando-nos para a colheita e crescimento da Luz do Verão.

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Há quase um ano, essa estação mágica me deu de presente meu gato mais novo, Pomelo,  que nasceu na Primavera e em uma primavera (ou buganville) o encontrei. Sempre que o olho, a sua expressão me passa uma intensa e assustada vontade de viver, assim como uma flor que desabrocha sem saber o que a espera, mas sabendo que precisa desabrochar para ser plena em sua existência.

Como ele, ainda carregamos um medo de sermos plenos em nossa existência, de abrirmos mão das falsas seguranças que criamos no cotidiano, de amadurecermos para a Vida. Mas não há volta, esse é o caminho. Somente quando a humanidade desabrochar e se tornar plena é que seremos um Único ser respirando vida nesse planeta.


16 agosto 2010

"O espelho enevoado"

Um pouco da sabedoria Xamânica, da linhagem Tolteca, do México. Sabedoria adormecida para alguns, vivenciada para outros, mas eterna onde há vida.

"Três mil anos atrás, havia um ser humano, como eu e você, que vivia perto de uma cidade cercada de montanhas. Embora estudasse para tornar-se xamã e para aprender a sabedoria de seus ancestrais, não concordava completamente com todos aqueles ensinamentos. Em seu coração, sentia que existia algo mais.

Um dia, enquanto dormia numa caverna, sonhou que viu o próprio corpo dormindo. Saiu da caverna numa noite de lua nova. O céu estava claro e ele enxergou milhares de estrelas. Então algo aconteceu dentro dele que transformou sua vida para sempre. Olhou para suas mãos, sentiu seu corpo e escutou sua própria voz dizendo: 'Sou feito de luz; sou feito de estrelas.'

Olhou novamente para o alto e percebeu que não eram as estrelas que criavam a luz, mas sim a luz que criava as estrelas. 'Tudo é feito de luz', acrescentou ele, 'e o espaço no meio não é vazio.' E ele soube tudo o que existe num ser vivo, como soube que a luz é a mensageira da vida, porque está viva e contém todas as informações.

Então compreendeu que, embora fosse feito de estrelas, ele não era essas estrelas. 'Sou o que existe entre elas' pen­sou. Assim, chamou as estrelas de tonai e a luz entre elas de nagual, e percebeu que a harmonia e o espaço entre os dois eram criados pela Vida ou Intenção. Sem a Vida, o tonai e o nagual não poderiam existir. A Vida é a força do absolu­to, do supremo, do Criador que tudo cria.

Essa foi a sua descoberta: tudo o que existe é uma mani­festação do ser que denominamos Deus. Tudo é Deus. E logo ele chegou à conclusão de que a percepção humana é apenas a luz que percebe a luz. Viu também que a matéria é um espelho - tudo é um espelho que reflete a luz e cria imagens a partir dessa luz - e o mundo da ilusão, o Sonho, é apenas fumaça que nos impede de enxergar quem real­mente somos. 'O verdadeiro nós é puro amor, pura luz', disse ele.

Essa compreensão mudou sua vida. Uma vez que ele soube quem realmente era, olhou ao redor em direção aos outros seres humanos e aos outros elementos da natureza. Ficou surpreso com o que viu. Em cada ser humano, ani­mal ou árvore; na água, na chuva, nas nuvens, na terra - ele se via. A Vida misturava o tonai e o nagual de formas diferentes para criar bilhões de manifestações da Vida.

Naqueles poucos instantes ele compreendeu tudo. Ficou muito excitado e seu coração se encheu de paz. Mal podia esperar para revelar ao seu povo as suas descobertas. Mas não havia palavras para explicar. Tentou falar com os outros, mas eles não conseguiam entender. Mas perceberam que o homem havia mudado, que algo bonito se irradiava dos seus olhos e da sua voz. Repararam que ele não julgava mais as coisas e as pessoas. Ele não era mais como os outros.

Embora entendesse os outros muito bem, ninguém conseguia entendê-lo. Acreditavam que ele fosse a encarnação viva de Deus. Ao ouvir isso, ele sorriu e disse: 'É verdade. Sou Deus. Mas vocês também são. Somos o mesmo, vocês e eu. Somos imagens de luz. Somos Deus.' Mesmo assim, as pessoas não o entenderam.

Havia descoberto que era um espelho para as outras pessoas, um espelho no qual podia observar a si mesmo. 'Todo mundo é um espelho', ele disse. Viu a si mesmo em todos, mas ninguém o viu como eles mesmos. Assim compreendeu que todos estavam sonhando, mas sem consciência, sem saber o que realmente eram. Não podiam enxergá-lo como eles mesmos porque havia uma parede de nevoeiro entre os espelhos. Uma parede construída pela interpretação das imagens de luz - o Sonho dos seres humanos.

Então percebeu que logo iria esquecer tudo o que aprendera. Como queria lembrar-se de todas as visões que tivera, decidiu chamar a si mesmo de Espelho Enevoado, para que sempre soubesse que a matéria é um espelho e a névoa do meio é o que nos impede de saber quem somos. Ele disse: 'Sou o Espelho Enevoado. Estou vendo a mim mesmo em todos vocês, mas não nos reconhecemos por causa do nevoeiro entre nós. Esse nevoeiro é o Sonho, e o espelho é você, o sonhador.’ ”

Extraída do livro Os quatro compromissos: o livro da filosofia Toteca, de Don Miguel Ruiz, um nagual mexicano que abraçou sua missão de partilhar com o mundo os ensinamentos do (seu) antigo povo tolteca. Para eles, nagual é aquele que lhe guia para sua liberdade pessoal.

Que nos guiem, então.

16 julho 2010

Florestas fantasmas

O título do meu post é como se chama a instalação da artista plástica Angela Palmer formada por tocos e raízes de árvores mortas. Alguns chegam a pesar 15 toneladas e são provenientes da Floresta Tropical Chuvosa de Gana. Está acontecendo ao longo desse mês, com duração de um ano, no pátio do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, Inglaterra. [http://tinyurl.com/29a3uln] A intenção da artista é criar um espaço de sensação negativa pela falta dos troncos mutilados. 

Uma ausência representativa do que está sendo continuamente feito com as nossas Florestas - e com o clima global. De fato, o título - Ghost Forests - é verdade.

Boa parte da civilização que criamos vive em terras que antes eram Florestas, sejam elas Tropicais  (como nossa Mata Atlântica, ou a Floresta Amazônica); Temperadas (como as do hemisfério norte bastante devastadas e substituídas, principalmente, pela agricultura, restringindo-se aos poucos parques e reservas que existem); Floresta mediterrânea de bosques e arbustos (encontradas em algumas pequenas porções da California, Chile, Austrália e África do Sul e no sul da Europa, e largamente desmatadas para o cultivo de oliveiras e videiras); ou de outros biomas.

Vivemos sobre um solo que antes respirava livre, através do contato com o ar, a água, ou através das imbricadas teias de raízes e compostos orgânicos provenientes de folhas e restos animais. O solo e a Floresta eram uma só respiração. E nós fazíamos parte, como mais uma das tantas espécies constituíntes dessa rica rede de pura vida.

Nessas terras agora, além dos pastos e cultivos, se situam as grandes cidades, ou florestas urbanas, que criamos e cocriamos cotidianamente. Esquecemos o que antes existia e a quem esse espaço pertencia. De fato, um solo de Florestas fantasmas, que carece imensamente de respeito, consideração e cuidado.

Os troncos utilizados na instalação (e que não foram mortos para esse fim, vale ressaltar!) são provenientes da Floresta Suhuma, no oeste de Gana, um país que, ao longo dos últimos 50 anos, perdeu 90% de suas Florestas tropicais primárias. Provavelmente, 60% foi por desmatamento ilegal - o que me lembra nossa Amazônia e Mata Atlântica. Como se não bastassem as consequências diretas da própria perda, a destruição das Florestas Tropicais liberam aproximadamente um quinto de toda a produção humana dos gases de efeito estufa. Para piorar, no mundo, uma área do tamanho de um campo de futebol é desmatada a cada quatro segundos.

"And when they are gone, they are gone. Simple as that!".