O título do meu post é como se chama a instalação da artista plástica Angela Palmer formada por tocos e raízes de árvores mortas. Alguns chegam a pesar 15 toneladas e são provenientes da Floresta Tropical Chuvosa de Gana. Está acontecendo ao longo desse mês, com duração de um ano, no pátio do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, Inglaterra. [http://tinyurl.com/29a3uln] A intenção da artista é criar um espaço de sensação negativa pela falta dos troncos mutilados.
Uma ausência representativa do que está sendo continuamente feito com as nossas Florestas - e com o clima global. De fato, o título - Ghost Forests - é verdade.
Boa parte da civilização que criamos vive em terras que antes eram Florestas, sejam elas Tropicais (como nossa Mata Atlântica, ou a Floresta Amazônica); Temperadas (como as do hemisfério norte bastante devastadas e substituídas, principalmente, pela agricultura, restringindo-se aos poucos parques e reservas que existem); Floresta mediterrânea de bosques e arbustos (encontradas em algumas pequenas porções da California, Chile, Austrália e África do Sul e no sul da Europa, e largamente desmatadas para o cultivo de oliveiras e videiras); ou de outros biomas.
Vivemos sobre um solo que antes respirava livre, através do contato com o ar, a água, ou através das imbricadas teias de raízes e compostos orgânicos provenientes de folhas e restos animais. O solo e a Floresta eram uma só respiração. E nós fazíamos parte, como mais uma das tantas espécies constituíntes dessa rica rede de pura vida.
Nessas terras agora, além dos pastos e cultivos, se situam as grandes cidades, ou florestas urbanas, que criamos e cocriamos cotidianamente. Esquecemos o que antes existia e a quem esse espaço pertencia. De fato, um solo de Florestas fantasmas, que carece imensamente de respeito, consideração e cuidado.
Os troncos utilizados na instalação (e que não foram mortos para esse fim, vale ressaltar!) são provenientes da Floresta Suhuma, no oeste de Gana, um país que, ao longo dos últimos 50 anos, perdeu 90% de suas Florestas tropicais primárias. Provavelmente, 60% foi por desmatamento ilegal - o que me lembra nossa Amazônia e Mata Atlântica. Como se não bastassem as consequências diretas da própria perda, a destruição das Florestas Tropicais liberam aproximadamente um quinto de toda a produção humana dos gases de efeito estufa. Para piorar, no mundo, uma área do tamanho de um campo de futebol é desmatada a cada quatro segundos.
"And when they are gone, they are gone. Simple as that!".


Um comentário:
Pois é, Elena, vivemos em mundo de florestas fantasmas em crescimento constante e acelerado. E o pior, pelo comportamento de muitas pessoas, o mundo também caminha pra transformar em fantasmas o amor, o respeito e a compaixão. Triste né?... Mas podemos evitar isso. Tá nas nossas mãos.
Parabéns pelo blog!
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